Partitura em braille

Partitura em braile As aulas de música para deficientes visuais necessitam de adequações para condizer às particularidades da grafia musical em braile. Naturalmente, o conteúdo musical dessas aulas é o mesmo que seria para pessoas com visão normal. No entanto, devido às diferenças entre as grafias braile e em tinta, o processo de aprendizagem é diferente, exigindo nova didática do professor. Essa grafia é importante, pois permite que o músico com deficiência visual tenha acesso a novas partituras, permitindo-lhes escrever músicas e arranjos, além do aprofundamento teórico musical. Relataremos a nossa experiência em um projeto de extensão da Universidade Estadual de Maringá no ano de 2010. Observaremos as diferenças entre as partituras em braile e em tinta e como elas influenciaram nas aulas no que tange aos materiais didático-musicais, dinâmicas específicas e sequência na abordagem dos tópicos. A partitura ocidental em tinta é apenas uma grafia musical possível, assim como existem grafias musicais em outras culturas ou fora de uso. Grosso modo, grafias musicais são maneiras diferentes de se escrever um mesmo conceito, tais como altura de nota, duração, acordes, vozes simultâneas, expressões, etc. Esses, quando escritos padronizada mente poruma mesma cultura, temos uma grafia. Conseguinte essa padronização, desenvolvem-se métodos específicos para o seu ensino. Então se subtende que os leitores dessa grafia passaram por semelhantes processos de cognição musical. Cognição é o ato ou processo de conhecer algo. O processo cognitivo da grafia em tinta dispõe de diversas metodologias e materiais didático-musicais. Tais materiais permitem uma diversidade de exercícios e dinâmicas, proporcionando ao estudante se relacionar com a música de forma gradativa, metódica eracional.Nesse sentido qualquer grafia musical necessita de uma didática específica, pois possui um processo cognitivo próprio. Logo, não faz sentido traduzir para braile textos de métodos musicais provenientes da grafia em tinta ou incluir pessoas com c.v.. em uma sala de musicalização para alunos com visão normal. Geralmente, os professores são formados para lecionarem aos alunos que aprendem a ler em tinta, e por isso, a metodologia de trabalho por eles adotada se baseia nas especificidades desse código. Os livros didáticomusicaissão também estruturados de acordo com as características peculiares da escrita musical utilizada por quem vê (BONILHA, 2007, p,5).A adaptação de qualquer material didático para o braile é mais complexa do que apenas fazer uma transcrição automática de textos, como se faz com livros. Somado a isso, a sequência dos tópicos musicais abordados também recebe uma atenção especial. Esse é um assunto abordado por Souza (2009) em um relato de experiência267com alunos com c.v.. onde apresenta a sequência didática usada em sala de aula e os motivos que naquele momento foram determinantes nessa escolha. Neste artigo não é nossa intenção adentrar essas questões, mas sim apresentar o material didático-musical e as dinâmicas desenvolvidas pela equipe. Contudo partimos de materiais de musicalização para pessoas com visão normal, observando as suas desconexões com o processo cognitivo da musicografia braile. Limitamos sãs cognições relativas à altura de notas, valor de tempo, intervalos e acordes. Para cada uma dessas criamos dinâmicas específicas que apresentaremos adiante. As dinâmicas se basearam nos três elementos sugeridos pelo pesquisador KeithSwanwick, que resumidamente são: escuta, execução e criação. Segundo Swanwick (1979) vivência musical se dá por meio de atividades que englobe esses três elementos, sendo que estes se completam entre si, ou seja, a escuta influencia na execução, na criação e vice-versa. Altura de notas-nos materiais didáticos que temos a disposição, geralmente o conceito de altura denotas é representado por uma ou mais linhas horizontais onde a nota musical, sem o seu valor de tempo agregado, sobe ou desce entre as linhas e espaços. Veja a figura 1. A representação é feita de forma espacial, tendo a nota um nome com relação a sua distância ao eixo ou linha principal. Com esse princípio temos muitas possibilidades para confeccionar materiais didáticos que introduzem a percepção da pauta musical e suas claves. Raphael Ota

 

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